sábado, 2 de março de 2013

DOIS MESES DO GOVERNO NEILTON MULIM: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA!


Prefeito Neilton Mulim
Completamos dois meses do governo Neilton Mulim. Faremos um balanço lúcido e responsável do processo, mas também sinalizaremos a falta de coragem politica da atual gestão, na perspectiva de romper com a herança maldita de Panisset.
Começaremos analisando a herança deixada pela sua antecessora, na sequencia avaliaremos o governo e por último apresentaremos uma agenda programática de São Gonçalo para o próximo período.

A HERANÇA MALDITA DE PANISSET

A Prefeita Aparecida Panisset

É um consenso nos movimentos sociais, nas comunidades, nas escolas, nas redes sociais e nos meios universitários que São Gonçalo viveu oito anos de muita dificuldade.
O descaso com os serviços públicos, o autoritarismo politico e a intolerância religiosa foram os marcos da gestão de Aparecida Panisset.
Os baixos índices de saúde e educação são ápices do descaso com a qualidade do público. Não precisamos desmiuçar muito sobre questão, pois é visível para todos a péssima situação dos postos de saúde, das escolas e das creches.
A redução da urbanização a embelezamento de vias públicas, também foi outro problema. Enquanto isso, as comunidades e as obras estruturais foram deixadas de lado.
O salário irrisório dos servidores em geral, dos profissionais de educação e da saúde revelam que a qualidade de vida dos trabalhadores não era uma das prioridades da família Panisset. O não cumprimento da regulamentação dos Agentes Comunitários de Saúde foi triste uma triste promessa não cumprida.
Cartela contra a proposta de 1%
A falta de democracia também é um ponto a ser analisado no governo Panisset. A repressão à greve dos professores e a proposta inicial indecente de 1% de aumento foram grandes vergonhas políticas. A cooptação de líderes comunitários e o não atendimento das demandas organizadas foram contínuas.
A intolerância religiosa era uma constante no governo Panisset. A tentativa desastrada de retirada do tapete da Igreja Católica, ainda no primeiro mandato, revelou que o governo de Panisset, não tinha perspectiva de convivência laica. Os outros exemplos que se sucederam, entre eles, como a derrubada da Casa da Umbanda, a troca do nome da Praça Chico Mendes para Praça da Bíblia, confirmaram tal questão. A construção de uma Secretaria Municipal para Assuntos Religiosos foi uma ruptura com o Estado laico definitivamente. O loteamento de ‘pastores’ nos cargos da Prefeitura nos mostrou que Panisset tem no discurso religioso e na cooptação de lideranças evangélicas, a construção da sua base política.
É de conhecimento de todos que quando a religião vira discurso político temos a ruptura do Estado laico, abrindo margem para ditadura e construção da irracionalidade social e política. Em tempos remotos, a Inquisição na Idade Média foi grande exemplo. Na modernidade, o fascismo e o nazismo, já no Século XX, foram as maiores expressões desta concepção. Infelizmente, a última gestão da prefeitura de nosso município adentrou por essa mesma lógica.
Fizemos este rápido levantamento do governo anterior para ajudar na compreensão da situação atual e nos desafios que têm Governo do Neilton Mulim.

FALTA CORAGEM AO GOVERNO MULIM PARA ENCARAR OS PROBLEMAS DE FRENTE

A vitória de Neilton Mulim é fruto da vontade de renovação por parte da população. Foi um “não” ao descaso dos serviços públicos, ao autoritarismo político e à intolerância religiosa.
Diante disto mudanças emergências deveriam ser feitas. Um choque político e de gestão era necessário. Infelizmente, o “anúncio tardio” do secretariado (apenas dois dias antes da posse) revelou nomes da velha política gonçalense, trazendo ao cenário político quatro ex-secretários do governo anterior. Como sempre dissemos “mudança se faz com novo” e não com elementos da velha política.
O segundo equívoco do governo foi o de entrar na lógica da velha política, contemplando cargos comissionados com altos salários. Os “novos” secretários e subsecretários tiveram reajustes além inflação. A maior distorção ficou no salário dos subsecretários, que de aproximadamente R$ 3.000,00 pulou para R$ 9.000,00. Um aumento só serve para onerar os cofres públicos e desqualificar qualquer ação política séria.
Aumentar salários dos cargos comissionados de 1º e 2º escalão e não falar nada sobre os servidores (alguns ganham menos de um salário mínimo) é uma vergonha para quem se propôs ser renovação.
A omissão e o atraso nas decisões também é um ponto presente na gestão atual da Prefeitura. A situação do lixo e a demora na revogação do aumento das passagens são exemplos nesse sentido.
O problema do lixo em São Gonçalo vem se arrastando. O visível e perceptível imediato são os dejetos nas ruas e locais públicos, bem como a irregularidade da coleta, porém o recolhimento é questão de saúde publica, tem consequências em médio e em longo prazo.  A perspectiva de um surto de dengue e leptospirose se torna evidente quando não combatemos os vetores e as condições para proliferação dos mosquitos e dos ratos.
A situação de emergência decretada na saúde foi uma medida interessante, mas ainda é pequena, visto que a auditoria sobre as contas da gestão anterior se faz necessária não apenas na saúde, mas em todas as áreas da Prefeitura. É preciso contabilizar perdas e materiais, mas também um plano de ação que passe pela revalorização dos profissionais e dos agentes comunitários de saúde, questão que ainda não foi discutida, nem sequer sinalizada pelo novo governo.
A revogação do decreto de aumento das passagens (R$2,80 para R$2,60), mesmo sendo uma medida interessante, foi tardia e não atende as expectativas de redução real apresentadas por Mulim durante a campanha.
Dissemos que foi tardia, porque esta  deveria ter sido uma das primeiras medidas a ser realizada pelo novo governo, visto que a autorização do aumento por parte da gestão anterior foi feita no ultimo dia. A autorização da passagem foi feita em 30 de Dezembro, ainda com Panisset, para começar a vigorar no governo Mulim no dia 01 de janeiro. Lembraremos aqui que Rodrigo Neves em Niterói, cidade vizinha a nossa, revogou no primeiro dia de mandato o aumento de passagens numa situação similar.
A promessa de campanha de passagem a R$ 1,50 foi um “mel” que veio para “adocicar” eleitores no segundo turno. Na nossa humilde opinião, mais cedo ou mais tarde, a nova gestão irá realizar, porém irá se inspirar no modelo de Campos.
O município de Campos recebe grandes fatias de royalties do Petróleo, e tem um orçamento maior do que o de São Gonçalo. Por princípio ideológico e por lógica política-administrativa, exigimos a passagem a R$1,50, mas compreendemos que não pode haver subsídio público, pois será uma retirada de dinheiro da saúde, da educação e dos demais serviços para “doar” aos empresários de ônibus. Acreditamos que a passagem a R$ 1,50 deve vir da revogação da licitação obscura do Consórcio de Transporte, construindo assim uma nova licitação para empresas de transporte coletivo em São Gonçalo.
A forma de gestão que temos visto neste início de governo de Mulim, mesmo não apresentando traços de intolerância religiosa e de autoritarismo, ainda não conseguiu se diferenciar no essencial da gestão de Panisset.
Entendemos e respeitamos o fato que o governo está começando. Porém não se pode perder tempo, é preciso romper com a herança maldita do governo anterior e construir um modelo democrático de gestão que priorize o bem público, os trabalhadores e as comunidades.
Infelizmente, a continuação da lógica de barganha dos vereadores, é o que temos visto na atual gestão. Respeitamos um diálogo aberto e sério entre o Executivo e o Legislativo, mas não aceitamos a cooptação, a troca de favores e de conveniência. Discordamos que postos estratégicos da Prefeitura, como saúde e educação, sejam loteados.
Respeitamos e até certo ponto concordamos com a exoneração dos diretores indicados por provenientes da gestão anterior. A maioria destes serviram a “interesses particulares de grupos políticos” e participaram do joguete de “toma lá da cá” da velha política. Mas compreendemos que não basta exonerar os agentes de gestão anterior senão avançarmos para uma democracia real e participativa nos espaços escolares. O governo peca ao não ter no horizonte a eleição para diretores das escolas e creches, e ao se submeter à lógica da velha política de troca de favores. Vereador não é para indicar diretor(a) escolar e nem outro cargo na escola. A escola tem de ser gerida pela comunidade envolvida no processo.
Educar não é um ato burocrático. Tem que ser dinâmico. Os agentes sociais devem estar envolvidos e ser valorizados. Escolas equipadas e profissionais bem remunerados é fundamental para revertermos o quadro do déficit de qualidade. Como dizia Paulo Freire não há escola que forme pessoas críticas sem democracia.
Vemos que nestes dois meses, o governo de Neilton Mulim não conseguiu se impor como uma alternativa de mudança. Falta-lhe coragem e firmeza ideológica para enfrentar os problemas.


UM PLANO DE AÇÃO EMERGENCIAL SE FAZ URGENTE

No primeiro ponto deste texto, apresentamos que o governo de Neilton Mulim herdou problemas provenientes da estrutura política da gestão de Panisset. Na sequência, revelamos que falta coragem ao novo Prefeito e a sua equipe, para encarar os problemas de frente.
Nesta parte do texto, conversaremos sobre o que deveria ser feito e sobre seu horizonte estratégico de construção. Não estamos fazendo uma política de conselhos. Mas enquanto gonçalense que sou, tenho responsabilidade e torço pelo melhor da nossa cidade.
São medidas transitórias para colocar São Gonçalo nos trilhos e abandonar de vez com a herança maldita e com a nuvem nebulosa que atua na superestrutura política de São Gonçalo, bem como iniciar um processo que melhore a qualidade de vida da maioria da população.
São pontos iniciais que compreendemos que o governo deveria fazer a curto prazo:

1)     AUDITORIA NAS CONTAS NAS CONTAS DA GESTÃO ANTERIOR
Não defendemos a “caça as bruxas”, mas o respeito ao bem público e a transparência pública é fundamental. Uma vasta auditoria é urgente, até para esclarecer à população sobre o rombo veiculado na imprensa no início do ano.

2)     UM NOVO PROCESSO DE LICITAÇÃO PARA CONCESSÃO DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS E PASSAGEM A R$ 1,50 SEM RECURSOS PÚBLICOS

Na Audiência de Transportes, defendemos
 um novo processo para licitação
de novas linhas e pelo fim do monopólio
Vejam que ao fundo está Presidente
do Sindicato dos donos das empresas.
Coragem é isto falar verdade doa a quem doer
Em meados do ano passado, tivemos uma licitação para o transporte coletivo da cidade. Longe de ser um processo transparente não reviu o monopólio das empresas de ônibus. Atualmente em São Gonçalo temos apenas 03 grupos (Mauá, Rio Ita e Galo Branco) controlando as 09 empresas que circulam na cidade. Também não foram discutidas as novas centralidades, como Shopping São Gonçalo, e os problemas dos bairros que não têm ligação para Alcântara e para o Centro. O Prefeito Neilton Mulim precisa ter coragem para reorganizar o transporte coletivo de São Gonçalo através de um novo processo de licitação. Já a passagem a R$ 1,50, conforme abordamos no texto, não pode ser subsidiada.

3)     ELEIÇÃO PARA DIRETORES DE ESCOLAS
Campanha do Sindicato dos Profissionais 
de Educação pela eleição direta para diretores
Defendemos a eleição direta para diretores de escolas e das creches, pois entendemos que democracia é fundamental em todas as atividades humanas e na educação mais ainda. Não aceitamos que em pleno século XXI sejam reproduzidas as práticas do coronelismo, que divide a direção das escolas entre os vereadores. Compreendemos que as diretoras escolares devem ser cargos de confiança da comunidade. A produção de uma educação de qualidade passa por profissionais qualificados, bem remunerados, estimulados e que possam dirigir juntos com os pais e os alunos, os rumos do processo pedagógico e político do espaço escolar.
Lembramos que em Itaocara, o Prefeito Gelsimar Gonzaga, meu companheiro de partido, já direciona a cidade para a eleição de diretores. Lembrando também que os secretários de saúde, educação, agricultura e obras foram eleitos em assembleias populares.

4)     CONSTRUÇÃO DE UMA DATA-BASE E ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE CARGO E SALÁRIOS PARA OS SERVIDORES

Nos últimos anos, os servidores amargaram com os baixos salários (alguns até abaixo do salário mínimo) e com as péssimas condições salariais. É preciso dar dignidade aos servidores municipais. É preciso determinar também o mês de abril como período para a data-base do funcionalismo municipal.

5)     REGULARIZAR A SITUAÇÃO DO LIXO E CRIAÇÃO DE UMA EMPRESA PÚBLICA DE LIMPEZA URBANA

É comum ver lixo pelas ruas
de São Gonçalo
Como afirmamos anteriormente, o lixo é questão de saúde pública. Se atual gestão da Prefeitura não resolver o problema imediatamente, em médio prazo, teremos doenças se proliferando.
A medida mais rápida para solução do  problema é a substituição de uma empresa pela outra. Do ponto de vista estratégico, a construção de uma empresa pública de lixo é fundamental.
Estava no programa de governo de dois candidatos a Prefeito. No nosso na coligação “Acorda São Gonçalo!” (PSOL-PCB) e no do atual Prefeito. É preciso que em médio prazo, se estatize o serviço de limpeza urbana para que em cada virada de contrato não ocorra problemas na coleta. E para que se possa ter um controle democrático público do serviço. É preciso ter coragem para aprofundar a questão e vontade política para realizá-la.

6)     REAJUSTE IMEDIATO  PARA OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO, DE SAÚDE E DEMAIS SERVIDORES, DE ACORDO COM AS PERDAS DOS ÚLTIMOS 08 ANOS.

Nosso apoio é incondicional a luta dos trabalhadores
Além da data-base já mencionada, defendemos um reajuste salarial de acordo com as perdas dos últimos anos. Para o SEPE, no caso dos profissionais de educação essas perdas estão na casa dos 26%.


7)     REVOGAR O NOME DA PRAÇA DA BÍBLIA – QUE VOLTE A SER CHICO MENDES!

A memória de Chico Mendes tem que ser respeitada
De maneira autoritária e arbitrária, a gestão dos Panisset substituiu o nome da Praça Chico Mendes para Praça da Bíblia. Longe de ser mais uma mera troca de nome, a medida, que foi acompanhada da derrubada da pista de skate, foi mais um dos atos de intolerância religiosa da gestão passada. É preciso que o atual Prefeito retome o nome original da Praça Chico Mendes honrando este nobre exemplo de lutador social. Com esta atitude o Prefeito irá mostrar a laicidade da sua gestão.

8)     IMPLEMENTAR ORÇAMENTO PARTICIPATIVO E CONSELHOS POPULARES

Gelsimar Gonzaga (logo a frente) elegeu
 os secretários estratégicos em Assembleía

A democracia garante transparência na gestão e consolida a participação crítica e consciente das pessoas. Levar as pessoas a discutir o orçamento é fundamental para melhorar o nível do debate político na cidade. A construção de conselhos populares, nos quais se tracem políticas públicas através das entidades do movimento social é fundamental. Em Itaocara, cidade administrada pelo PSOL, o Prefeito Gelsimar Gonzaga já organiza mobilizações nesta direção.



9)     REGULARIZAÇÃO DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAUDE
É preciso valorizar estes servidores, levando dignidade àqueles que são fundamentais no controle das endemias. É preciso reajustar os seus salários e construir um plano de cargos e salários.

10)  O PREFEITO TEM QUE ENCABEÇAR A  LUTA PELA LINHA 3 DO METRÔ E PELA BARCAS EM SÃO GONÇALO
O trânsito em São Gonçalo e em toda região já chega a tons alarmantes de engarrafamento. O transporte nas regiões metropolitanas pode ser considerado como estratégico. Por isso, o Prefeito deve encabeçar, como representante eleito da população, uma cobrança ao Governador, pois a construção da obra já passa da hora. A linha 4 já está construção e a nossa ainda está no papel.
Um ignorante e/ou desavisado iria dizer que, caso o Prefeito tenha coragem para encabeçar ambas as lutas, estaria provocando uma situação de crise institucional com governo do Estado. Todos veem o Governador do Estado do Rio de Janeiro brigando para não perder os royalties, inclusive com passeatas, atos públicos e nenhum momento houve litígio entre Governo do Estado e o Governo Federal. Cabe ressaltar que existem verbas que são obrigatórias e carimbadas por lei, cujo repasse é obrigatório. Outro aspecto, é  que está na hora de romper com a hipocrisia e defender de fato a cidade. Um prefeito de uma cidade não é um síndico de luxo, é um gestor público que tem que pensar para frente.

CONCLUSÃO
Apresentamos estes pontos para um primeiro debate, temos a clareza que existem outros. São pontos iniciais que podem ser implantados no período inicial de governo. Basta ter coragem para estabelecê-los.
É preciso reverter o legado anterior com uma agenda positiva. Está passando da hora de apresentar um modelo de gestão e de afirmação programática para a nossa cidade. Gerir uma cidade como São Gonçalo, com mais de 1 milhão de habitantes, não pode ser um improviso emotivo e nem um malabarismo técnico.
Concluímos, afirmando que entendemos o fato de que o governo está começando. Porém para construção de uma política sadia e de qualidade, que vise melhorar de fato a vida das pessoas, é importante que governo de Neilton Mulim rompa com a herança maldita do governo Panisset e tenha coragem para assumir na integralidade os pontos que colocamos acima.



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domingo, 3 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA COM MARIANO ROSA DO MST ARGENTINO


Durante o mes de janeiro estive em Buenos Aires para estudos - fazendo o 4º módulo de créditos -  para meu Mestrado em Gestão Universitária pela Universidad Nacional de Lomas de Zamora. Entre as atividades acadêmicas, que não foram poucas, tive a oportunidade de ter contato com a vida cultural e política da Capital Federal Argentina.

A Argentina passa por um forte momento de crise econômica. A desvalorização da moeda é visivel nas ruas, só para dar um exemplo, o Real que há dois anos vinha se estabilizando na casa de 1 por dois em relação ao Peso, chegou a valer 3,40 da moeda local.

Por outro lado, a desmoralização politica e acirramento da luta de classes também um ponto de discussão. O governo de Cristina Kirchner amarga com a queda nos índices de aprovação, levando a forte mobilizações de massas.

Depois de voltarmos do ato de 26 anos de falecimento de Nahuel Moreno no cemitério da Chacarita. Realizamos esta pequena e simples entrevista. Conversamos com Mariano Rosa, dirigente da organização partidária Movimiento Socialista dos Trabajadores (MST) que participa do Movimiento Proyecto Sur; Coordenador da Juventud Socialista e professor de Ciencias Sociais.

Conversamos sobre a história e o papel do MST na conjuntura argentina e as tarefas para o período.No final da conversa, a última das três perguntas, o companheiro abordou a importancia da Acampamento Internacional de Juventude - “Campamento Internacional de la Juventud” que aquí no Brasil tem o Juntos! como organizador.

A minhas perguntas estão em português e as respostas em espanhol. Colocamos assim pela proximidade da língua, visando também estimular a leitura em espanhol dos jovens que irão ao Evento Internacional.  

Boa leitura!Buena Lectura!Prof. Josemar


JOSEMAR CARVALHO: Mariano argumente sobre a história do partido na Argentina e similaridades com o processo brasileiro.

MARIANO ROSA: “El MST (Movimiento Socialista de los Trabajadores) es una de las principales fuerzas de izquierda en la actualidad en Argentina y hace parte de la más implantada corriente trotskista de América Latina, que es la fundada por Nahuel Moreno (1924-1987) en la década del 40´del siglo XX. Nuestra organización es heredera del glorioso PST (Partido Socialista de los Trabajadores) que combatió valientemente a la dictadura genocida con 100 militantes muertos; del MAS (Movimiento al Socialismo) que fue un gran partido en la década del 80´y a partir de 1992 construimos el MST. Somos una fuerza anticapitalista, obrera, de lucha e internacionalista. Hoy toda nuestra energía política está concentrada en colaborar en la construcción de una poderosa alternativa que reorganice la sociedad sobre nuevas bases anticapitalistas y antiimperialistas. Para eso, creemos que es imprescindible que los revolucionarios seamos capaces de hacer confluir nuestras fuerzas con otras corrientes antiimperialistas, de la izquierda social e incluso reformistas de izquierda para lograr construir una nueva mayoría social entre los trabajadores, los jóvenes estudiantes, los sectores medios arruinados por el desastre capitalista y el conjunto del pueblo pobre. En ese camino de confluencia es fundamental que los revolucionarios con nuestro partido tengamos nuestra propia identidad y perfil político para actuar como ala izquierda en esas formaciones amplias. En ese sentido, es que coincidimos con la orientación política del MES-PSOL y la experiencia que se realiza en Brasil, o la iniciativa que desplegamos en Venezuela en torno al PSUV con Marea Socialista y la actual política de reagrupamiento de la izquierda que enfrenta a Ollanta Humala en Perú. Es decir: tenemos que actuar como revolucionarios al interior de formaciones amplias que permitan construir puentes hacia franjas del movimiento de masas y combatir tanto el sectarismo como el oportunismo.”

  

JOSEMAR CARVALHO: O MST É UM PARTIDO DE GRANDE TRADIÇÃO HISTÓRICA, FALE SOBRE O TRABALHO DO PARTIDO NA ARGENTINA.

MARIANO ROSA:  El MST en la actualidad es la fuerza de la izquierda argentina con mayor desarrollo nacional y presencia en 21 de las 24 provincias del país. Tenemos dos figuras políticas públicas con reconocimiento en la vanguardia y franjas del movimiento de masas como son nuestro secretario general y actual diputado Alejandro Bodart (http://alejandrobodart.com.ar/) y la diputada (MC) Vilma Ripoll (http://www.mst.org.ar/). Nuestra actividad en el terreno del movimiento obrero se desarrolla en múltiples sindicatos y con decenas de cuadros integramos la Central de Trabajadores (CTA) incluyendo su directiva nacional con dos miembros. Nuestra juventud estudiantil integra centros de estudiantes y federaciones en distintas regiones del país y desarrollas iniciativas y campañas políticas diversas: contra la presencia de Monsanto en Argentina, en solidaridad con la lucha del pueblo griego, contra la criminalización de la juventud, contra la violencia de género, y por supuesto, reclamando un nuevo modelo para la educación en crisis en nuestro país. Es una juventud militante y enormemente sacrificada como motor dinámico del partido en cada lucha, en cada movilización, en cada iniciativa. En mi caso, me toca coordinar nacionalmente el equipo de dirigentes regionales de la Juventud Socialista.

JOSEMAR CARVALHO: EM MARÇO, PARA SERMOS MAIS PRECISOS NA SEMANA SANTA, TEREMOS O ACAMPAMENTO INTERNACIONAL DA JUVENTUDE. HÁ UMA EXPECTATIVA MUITO GRANDE ENTRE A JUVENTUDE MILITANTE. FALE UM POUCO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO EVENTO.

MARIANO ROSA: En lo inmediato nos preparamos con fuerza para construir un gran “Campamento Internacional de la Juventud” en el mes de marzo en unidad con los camaradas de Juntos de Brasil, Marea Socialista de Venezuela y el Comando Estudiantil Nacional de Perú. Ya confirmaron su presencia Syriza, el Bloque de Izquierda de Portugal, Izquierda Anticapitalista de España, y organizaciones de Chile, Paraguay, Honduras, República Dominicana y otros países. Nos proponemos construir una enorme asamblea de militancia antiimperialista y anticapitalista para discutir alternativas por la positiva para poner en pie fuertes opciones políticas para ganar influencia de masas en nuestros países. Es fundamental el rol de la juventud en esa perspectiva. Tenemos que lograr un diálogo que permita organizar con nuestra corriente a miles de jóvenes en nuestros países para “ocupar la política” y asumir protagonismo en la construcción de una nueva sociedad anticapitalista. Para eso, el campamento de marzo será un punto de reunión clave para impulsar luchas, campañas comunes y un manifiesto que sea base programática de esta coordinación internacional. ¡Fuerza camaradas de Brasil y los esperamos en Buenos Aires en marzo! ¡Hasta el socialismo siempre!

Mais informações sobre a Acampamento Internacional de Juventude
Veja no site do juntos:

Para conhecer o MST argentino:

A juventude argentina aguarda as delegações de vários países para o Acampamento Internacional de Juventude

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domingo, 30 de dezembro de 2012

POSSE DE GELSIMAR EM ITAOCARA: ESTAREMOS LÁ!



Terei a honra de visitar a cidade de Itaocara para celebrar o inicio do governo de Gelsimar Gonzaga


Gelsimar foi cortador de cana 
Companheiro simples, trabalhador, guerreiro e lutador. Aos 48 anos de idade, Gelsimar Gonzaga será o primeiro prefeito do PSOL no Estado do Rio de Janeiro.
Um símbolo de luta, começou trabalhar aos sete anos cortando cana para ajudar a família. Aos 15 anos trabalhou na cidade vizinha de Cambuci como entregador de Gás.
Sua militância teve inicio nos anos 80 no Sindicato dos Bancários, mesmo época que entrou para o PT. Partido da qual foi candidato três vezes a Vereador sem vitória eleitoral.
Nos últimos anos foi Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Itaocara. Já pelo PSOL foi candidato a deputado estadual (por duas vezes) e a Prefeito.
Conheci o companheiro ainda no PT, fazíamos parte de um bloco de esquerda a direção majoritária do Partido.
O Governo encabeçado pelo companheiro Gelsimar Gonzaga será uma honra para o PSOL, e ao mesmo tempo, um desafio para toda a esquerda, visto que implementará um novo modelo de gestão.
Gelsimar será o primeiro prefeito do PSOL no Estado
Suas ações iniciais, já revelam isto, diferente de Aparecida Panisset - que não negociou os trabalhadores organizados ao longo da gestão; e de Neiltom Mulim - que demorou a anunciar o secretariado, pois está preso a acordos eleitorais;  Gelsimar elegeu os secretários de Educação e Saúde numa assembleia popular nos 20 dias após a eleição.
Democracia é isto, o povo decidindo os rumos do governo.
Não para por aí ... Já anunciou a organização de Conselhos Populares e um planejamento de um amplo orçamento participativo, propostas democráticas onde a população participa ativamente do processo decisório.
Para mim, será um orgulho viajar para Itaocara para visualizar este momento histórico: a posse do primeiro governo socialista no Estado do Rio de Janeiro.
Na sequência, veja o vídeo do companheiro Gelsimar discursando na esquina logo após a diplomação. Repare o carro de som, é um fusquinha velho, que foi utilizado durante a campanha:


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

QUEM TINHA RAZÃO? 09 ANOS DA EXPULSÃO DOS RADICAIS DO PT


Babá, Heloisa Helena, Luciana Genro e João Fontes

O domingo de 14 de Dezembro de 2003 entrou para história de esquerda brasileira. Neste dia ocorreu a expulsão dos chamados parlamentares radicais do PT.
Com argumentos de indisciplina e necessidade de enquadramento politico, a comissão de ética orientou ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores a expulsão da então Senadora Heloisa Helena (Alagoas), da Deputada Luciana Genro (Rio Grande do Sul) , do Deputado João Batista Araújo (Babá) e em processo similar o Deputado João Fontes (Sergipe).
Na verdade a expulsão ocorre numa tentativa de enquadrar a militância aguerrida que questionava centralmente a aliança com Sarney e a Reforma da Previdência. 
Consumada a expulsão, por um placar de 55 votos a favor e 27 contra, intelectuais de esquerda, sindicalistas, lideranças estudantis de todo o país iniciaram o movimento por um novo partido. O principal embrião do PSOL – Partido Socialismo & Liberdade, que veio a ser fundado em Junho de 2004.
Longe de fazermos um longo balanço de quase uma década sobre os rumos e as perspectivas não-éticas do PT a partir do Governo Federal, este texto pequeno visa relembrar a memória da nossa história militante e ao mesmo tempo introduzir uma rápida reflexão sobre o futuro que estava por vir de algumas figuras que articularam o processo de expulsão dos deputados radicais.
Se naquele domingo, o Diretório Nacional do PT fez a “caça as bruxas” rasgando o passado de luta do PT. Hoje alguns dos principais responsáveis pela expulsão arbitrária são condenados e ou estão envolvidos em escândalos de corrupção.

Vejamos:




 SILVIO PEREIRA – se desfiliou do PT, após ter recebido um Land Rover de uma empresa que prestava serviço a Petrobrás.




 


JOSÉ DIRCEU –Ex- Ministro de casa Civil, perdeu o mandato e recentemente foi condenado por crimes do Mensalão

 JOSÉ GENOINO -O ex-presidente do PT, condenado recentemente pelo crime do Mensalão



Leia também:
O discurso de defesa de Luciana Genro:


A posição dos principais colunistas da época:



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